Um anteparo para o desejo: o conceito de cultura de Margaret S. Archer<br>A scrim for the desire: Margaret S. Archer’s concept of culture

Main Article Content

Waldez da Silva
Eduardo Leal Cunha

Resumo

A primeira parte desse trabalho apresentará a teoria cultural da socióloga britânica Margaret S. Archer. Focará na forma como a autora escreve sua teoria contra concepções de cultura mais comuns nas ciências sociais para, a partir daí, desenvolver um original conceito de cultura caracterizada por duas qualidade: a objetividade (a cultura se apresenta ao indivíduo como uma força exterior) e a racionalidade (há entre as ideias presentes na cultura relações lógicas). Apresentaremos, a seguir, o conceito de desejo de Sigmund Freud por acreditarmos que tal conceito se encontra por sua importância numa posição singular para tornar nossa discussão mais proveitosa para a disciplina da psicanálise. Acentuaremos a relação conflituosa entre os sistemas psíquicos e como esse conflito depende da incompatibilidade entre o funcionamento primário e o secundário. Tendo em mãos as teorias, argumentaremos que o conflito psíquico entre consciência e inconsciente, no qual o desejo costuma ser o ator principal, pode ser reencenado na âmbito cultural graças às similaridades entre os conceitos de cultura e de consciência – a saber, ambos funcionam sob o signo da racionalidade e da objetividade. O sucesso de nossa argumentação apontaria para a insuspeita complementaridade entre Archer e Freud.


 


Abstract


The first part of this work presents the cultural theory of British sociologist Margaret S. Archer. It focuses on the way the author writes her theory against the most common conceptions of culture in the social sciences to, from there, develop an original concept of culture characterized by two qualities: objectivity (culture presents itself to the individual as an external force) and rationality (there are logical relationships between the ideas present in the culture). Sigmund Freud’s concept of desire is the presented because we believe such a concept, given of its importance, is in a unique position to make our work more fruitful for the discipline of psychoanalysis. We emphasize the conflicting relationship between psychic systems and how this conflict depends on the incompatibility between the primary and the secondary processes. We argue that the psychic conflict between consciousness and unconscious, in which desire is usually the main actor, can be re-enacted in the cultural sphere thanks to the similarities between the concepts of culture and consciousness - namely, both work under the sign of rationality and objectivity. The success of our argument would point to the unsuspected complementarity between Archer and Freud.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Article Details

Como Citar
da Silva, W. ., & Cunha, E. L. (2021). Um anteparo para o desejo: o conceito de cultura de Margaret S. Archer&lt;br&gt;A scrim for the desire: Margaret S. Archer’s concept of culture. Deslocamentos/Déplacements: Revista Franco-Brasileira Interdisciplinar De psicanálise E Ciências Sociais, 2, 130–147. Recuperado de https://seer.furg.br/des/article/view/13682
Seção
Artigos/Article
Biografia do Autor

Waldez da Silva

Psicólogo e mestre em psicologia pela Universidade Federal do Sergipe.

Eduardo Leal Cunha, Universidade Federal de Sergipe, UFS, São Cristovão, Brasil.

Eduardo Leal Cunha é psicólogo e psicanalista, mestre em teoria psicanalítica (UFRJ) e doutor em saúde
coletiva (IMS/UERJ). Professor do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Sergipe e Pesquisador Associado da Universidade de Paris.

Referências

Archer, M. S. (1996). Culture & Agency: The Place of Culture in Social Theory. Cambridge University Press.

Costa, A. O. (2018). Norbert Elias e a psicanálise: Envolvimentos e alienações. Psychologica, 61(1), 143–158.

Enriquez, E. (2005). Psicanálise e Ciências Sociais. Ágora, VIII(02), 153–174.

Freud, S. (2001). A Interpretação do Sonhos (Edição Comemorativa). Imago.

Freud, S. (2010a). Formulações sobre os dois princípios do funcionamento psíquico. In. Observações Psicanalíticas sobre um caso de paranóia relatado em autobiografia (“O caso Schreber”), artigos sobre técnica e outros textos (1911-1913) (Vol. 10). Companhia das Letras.

Freud, S. (2010b). Introdução ao Narcisismo. In Intodução ao Narcisismo, Ensaios de Metapsicologia e outros textos (1914-1916) (Vol. 12). Companhia das Letras.

Freud, S. (2015). A moral sexual “cultural” e o nervosismo moderno. In; O delírio e os sonhos na Gradiva, análise da fobia de um garoto de cinco anos e outros textos (1906-1909) (Vol. 8). Companhia das Letras.

Genel, K. (2017). Escola de Frankfurt e Freud-Marxismo: Sobre a Pluralidade das articulaões entre psicanálise e Teoria da sociedade. Dissonância: Teoria Crítica e Psicanálise, 01, 263–288.

Hutnyk, J. (2006). Culture. Theory, Culture & Society, 23(2–3), 351–375.

Lindenmeyer, C. (2018). A Antropologia Psicanalítica: Uma chave para pensar o contemporâneo. Entrevista com Paul-Laurent Assoun. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 21(03), 431–441.

Mezan, R. (2011). Freud: A Trama dos Conceitos (4ª ed). Perspectiva.

Parsons, T. (1950). Psychoanalysis and the Social Structure. The Psychoanalytic Quarterly, 19(03), 371–384.